Gleisi supera Lula e é imbatível no quesito “rejeição” em um estado do país

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Gleisi Hoffmann Supera Lula e Lidera Ranking de Rejeição no Paraná, Revela AtlasIntel

Em um estado marcado pelo forte sentimento antipetista, a presidente nacional do PT consegue a proeza de ser "menos votável" que o próprio Presidente da República.


O cenário político brasileiro é conhecido por suas polarizações e paixões fervorosas, mas se há um termômetro que raramente falha em medir a temperatura da opinião pública, é a taxa de rejeição. No mais recente levantamento realizado pelo instituto AtlasIntel, divulgado nesta quinta-feira (2), um dado chama a atenção e redesenha o mapa do desgaste político no Sul do país: a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) é, hoje, a figura política mais rejeitada no estado do Paraná.

Ocupar o topo de uma lista onde o "prêmio" é o título de persona non grata não é para qualquer um. Gleisi não apenas lidera o ranking, como conseguiu superar numericamente o seu principal mentor político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora Lula enfrente uma resistência monumental em todo o território nacional, o solo paranaense parece ter uma camada extra de proteção — ou de ressentimento — contra as figuras de proa do Partido dos Trabalhadores.

Os Números do Desgaste: Gleisi vs. Lula

A pesquisa foi direta ao ponto e perguntou aos 1.254 eleitores paranaenses ouvidos entre os dias 23 e 30 de março: “Em qual dos políticos listados você não votaria de jeito nenhum?”. A resposta foi um balde de água fria para as pretensões petistas na região.

Gleisi Hoffmann aparece com impressionantes 59,3% de rejeição. Logo na sequência, colado na margem de erro, está o presidente Lula, com 59,1%. Na prática, ambos dividem o pódio do "veto popular" no estado. Esse fenômeno não é isolado e reflete anos de um embate ideológico profundo que teve Curitiba como o epicentro da Operação Lava Jato, cujos desdobramentos ainda ecoam na memória coletiva do eleitor local.

"Superar Lula em rejeição no Paraná é como ganhar uma corrida contra o vento em um furacão: exige um histórico de exposição negativa que Gleisi acumulou ao longo de décadas como voz estridente do PT no Congresso."

O Ranking Completo da Rejeição

Político (Partido) Índice de Rejeição
Gleisi Hoffmann (PT) 59,3%
Lula (PT) 59,1%
Eduardo Leite (PSD) 44,9%
Requião Filho (PDT) 40,7%
Flávio Bolsonaro (PL) 38,1%
Jair Bolsonaro (PL) 36,6%
Alvaro Dias (MDB) 36,4%
Rafael Greca (MDB) 35,4%
Sergio Moro (PL) 32,8%
Deltan Dallagnol (Novo) 27,9%
Eduardo Pimentel (PSD) 27,5%
Ratinho Junior (PSD) 27,2%
Cristina Graeml (PSD) 26,4%
Filipe Barros (PL) 25,9%
Alexandre Curi (PSD) 25,3%
Ronaldo Caiado (PSD) 22,2%
Guto Silva (PSD) 20,6%
Nenhum destes 0,4%

Análise: O Peso do "Nariz-de-Ferro" do PT

Para entender por que Gleisi Hoffmann carrega esse fardo, é preciso olhar para além dos números. Conhecida como a "Coxa" em certas planilhas do passado e como a voz mais combativa da esquerda no Congresso, Gleisi personifica a defesa intransigente do PT mesmo nos momentos mais críticos. Para o paranaense médio — que historicamente tende ao conservadorismo e ao liberalismo econômico — essa postura é vista como arrogante ou desconectada da realidade local.

O fato de ela superar Lula na rejeição sugere que o eleitor diferencia o "Lulismo" da "militância orgânica". Enquanto Lula ainda mantém algum carisma residual entre as camadas mais pobres, a figura de Gleisi é estritamente política, o que a torna um alvo mais fácil para críticas diretas. Ela é a face da burocracia partidária e do confronto retórico.

A Surpresa no Terceiro Lugar: Eduardo Leite

Talvez a maior surpresa do levantamento da AtlasIntel não esteja no topo, mas na terceira posição. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), aparece com 44,9% de rejeição entre os paranaenses. Embora seja um gestor de um estado vizinho, sua projeção nacional e as recentes movimentações políticas parecem não ter caído no gosto dos vizinhos do norte.

Sua presença à frente de nomes como Jair Bolsonaro (36,6%) e Sergio Moro (32,8%) indica que o eleitor do Paraná está de olho não apenas na ideologia, mas na viabilidade e na postura de novos líderes. Leite, que flerta com uma "terceira via" cada vez mais estreita, parece sofrer tanto com o fogo cruzado da esquerda quanto da direita conservadora.

Bolsonaro e Moro: Menos Rejeitados que a Esquerda?

Outro ponto crucial é a comparação entre as forças da direita. Flávio Bolsonaro e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, registram 38,1% e 36,6% de rejeição, respectivamente. São números altos, mas significativamente menores do que os de Gleisi e Lula. No Paraná, o bolsonarismo ainda respira com mais alívio do que o petismo.

Sergio Moro, o ex-juiz da Lava Jato, aparece com 32,8%. Apesar de todas as polêmicas, processos e a tentativa de cassação, Moro ainda mantém um colchão de aceitação em sua terra natal que o protege de cair no abismo de desaprovação onde Gleisi e Lula se encontram. Ele é "menos rejeitado" do que quase todos os nomes de esquerda e até do que Eduardo Leite.

Os "Queridinhos" ou Menos Odiados?

Na base da tabela, onde o ar é mais respirável, encontramos os nomes que possuem menor rejeição — o que não significa necessariamente aprovação total, mas sim uma menor resistência ao voto. O atual governador Ratinho Junior (PSD) ostenta uma das menores rejeições da lista, com apenas 27,2%. É um sinal claro de que sua gestão estadual tem conseguido blindar sua imagem das crises federais.

Outros nomes como Eduardo Pimentel (27,5%) e Alexandre Curi (25,3%) mostram que a política paranaense valoriza nomes mais técnicos ou ligados a linhagens políticas tradicionais que evitam o confronto ideológico agressivo. O destaque final vai para Guto Silva (PSD), que fecha a lista com a menor rejeição: apenas 20,6%.

Metodologia e Confiança

A pesquisa AtlasIntel foi realizada de forma robusta, utilizando métodos de recrutamento digital aleatório. Foram consultados 1.254 eleitores paranaenses entre os dias 23 e 30 de março. O nível de confiança do levantamento é de 95%, o que garante uma fotografia fiel do momento político. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, o que coloca Gleisi e Lula em um empate técnico na liderança da rejeição, embora a deputada mantenha a dianteira nominal

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