General comandante do Exército alerta para nova percepção de ameaça na América do Sul e defende modernização militar
Brasília – Uma declaração do comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Paiva, chamou atenção durante o encerramento do Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, realizado em Brasília. Ao abordar os desafios atuais da defesa nacional, o militar afirmou que existe hoje uma “percepção de ameaça na América do Sul”, cenário que, segundo ele, exige vigilância constante, investimentos estratégicos e aceleração do processo de modernização das Forças Armadas.
A fala ocorreu diante de integrantes do Alto Comando do Exército, especialistas em defesa e representantes de empresas do setor tecnológico que participaram do evento dedicado à apresentação de drones, sistemas autônomos e outras soluções voltadas à segurança e ao monitoramento de áreas estratégicas.
Durante seu discurso, o general destacou que o contexto geopolítico atual é diferente daquele observado em décadas anteriores e requer novas respostas por parte das instituições responsáveis pela defesa do território nacional.
“No passado, não tínhamos nenhuma ameaça na América do Sul. Hoje temos uma percepção de ameaça, incluindo nossa atuação constitucional e legal de auxiliar os Poderes da República na faixa de fronteira que é uma preocupação enorme, muito vasta. Temos que estar olhando para ela”, declarou o comandante do Exército.
Fronteiras sob atenção permanente
A extensa faixa de fronteira brasileira foi apontada pelo general como uma das principais áreas de preocupação estratégica. O Brasil possui aproximadamente 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres, compartilhadas com dez países sul-americanos, o que representa um enorme desafio logístico e operacional para os órgãos de defesa e segurança.
Segundo especialistas da área militar, a vigilância dessas regiões envolve não apenas a proteção da soberania nacional, mas também o combate a crimes transnacionais, como tráfico de drogas, contrabando de armas, garimpo ilegal e outras atividades ilícitas que podem comprometer a segurança interna.
Nesse contexto, a utilização de novas tecnologias passa a ser considerada uma ferramenta indispensável para ampliar a capacidade de monitoramento e resposta das Forças Armadas.
Tomás Paiva enfatizou que a transformação tecnológica não é mais uma opção, mas uma necessidade diante da velocidade das mudanças observadas nos conflitos modernos.
“É preciso empregar cada vez mais tecnologia”, afirmou.
Drones ganham protagonismo nas estratégias militares
O Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre teve justamente como foco principal a apresentação de tecnologias capazes de aumentar a eficiência operacional do Exército Brasileiro.
Ao longo do encontro, sete empresas especializadas exibiram equipamentos voltados para operações terrestres e aéreas não tripuladas. Entre os recursos apresentados estavam drones de vigilância, monitoramento, reconhecimento de terreno, apoio logístico e até sistemas com potencial para operações ofensivas.
Nos últimos anos, o emprego de aeronaves não tripuladas tornou-se uma das maiores tendências mundiais na área de defesa. Conflitos recentes em diferentes regiões do planeta demonstraram o impacto dessas tecnologias na coleta de informações, na precisão das operações militares e na redução dos riscos para o efetivo humano.
A adoção dessas ferramentas tem sido observada em diversas forças armadas ao redor do mundo, levando os países a ampliarem seus investimentos em inovação tecnológica e inteligência artificial aplicada à defesa.
No Brasil, a expectativa é que os sistemas não tripulados desempenhem papel cada vez mais relevante em missões de vigilância de fronteiras, monitoramento ambiental e apoio às operações militares convencionais.
Política de Transformação do Exército
As iniciativas apresentadas durante o simpósio fazem parte da chamada Política de Transformação do Exército Brasileiro, um amplo projeto institucional voltado à modernização da Força.
O programa foi desenvolvido com o objetivo de adaptar o Exército às exigências dos novos cenários estratégicos internacionais, marcados por conflitos de alta intensidade, avanços tecnológicos acelerados e mudanças constantes no ambiente de segurança global.
A proposta busca garantir que a instituição mantenha capacidade de resposta diante dos desafios contemporâneos e preserve sua eficiência operacional ao longo das próximas décadas.
Segundo informações oficiais, a política está estruturada em quatro grandes eixos considerados fundamentais para a modernização militar.
Primeiro eixo: desenho institucional
O primeiro eixo concentra-se no desenho institucional do Exército. Nessa área, o foco está na revisão da estrutura organizacional da Força, buscando aperfeiçoar mecanismos de gestão, articulação e funcionamento interno.
O objetivo é tornar os processos mais eficientes e adequados às novas demandas operacionais, permitindo maior capacidade de adaptação diante de cenários em constante transformação.
A reorganização institucional também pretende facilitar a integração entre diferentes setores da Força e melhorar a coordenação das atividades estratégicas.
Segundo eixo: capacidades militares
O segundo eixo trata diretamente das capacidades militares. Nesse campo, a prioridade está na governança das capacidades terrestres e na incorporação acelerada de novas tecnologias ao sistema de defesa nacional.
Isso inclui investimentos em equipamentos modernos, sistemas de comunicação avançados, plataformas digitais, inteligência artificial, guerra eletrônica e recursos não tripulados.
A intenção é garantir que o Exército Brasileiro acompanhe as transformações observadas nas principais forças militares do mundo.
Além disso, a atualização tecnológica busca reduzir vulnerabilidades estratégicas e ampliar a capacidade de atuação em diferentes tipos de operações.
Terceiro eixo: doutrina militar
O terceiro eixo está relacionado à doutrina militar, conjunto de conceitos, procedimentos e métodos que orientam a atuação da instituição.
Dentro desse processo, o Exército pretende aperfeiçoar seus modelos de planejamento operacional, treinamento e emprego das tropas, incorporando lições observadas em conflitos recentes e novas práticas desenvolvidas internacionalmente.
A atualização doutrinária é considerada essencial para garantir que os recursos tecnológicos adquiridos sejam utilizados de forma eficiente e integrada.
Especialistas ressaltam que a modernização militar não depende apenas da compra de equipamentos, mas também da capacidade de adaptar conceitos e estratégias às novas realidades do campo de batalha.
Quarto eixo: valorização do pessoal
O quarto e último eixo da política de transformação está voltado para o desenvolvimento do pessoal militar.
A proposta busca ampliar a compreensão dos integrantes da Força sobre a importância da inovação e da modernização para o sucesso das operações futuras.
Programas de capacitação, treinamento especializado e atualização profissional fazem parte das medidas previstas para preparar os militares para lidar com tecnologias cada vez mais sofisticadas.
A formação de recursos humanos qualificados é considerada um dos pilares fundamentais para o êxito de qualquer processo de transformação institucional.
Cenário internacional influencia planejamento
Na justificativa oficial apresentada pelo Exército Brasileiro para a implementação da Política de Transformação, a instituição destaca a existência de uma tendência global de aumento dos investimentos em defesa.
De acordo com o documento, diversos países vêm ampliando seus gastos militares e acelerando processos de modernização tecnológica em resposta às mudanças observadas no ambiente geopolítico internacional.
O entendimento é que o Brasil precisa acompanhar esse movimento para evitar o surgimento de vulnerabilidades estratégicas que possam comprometer seus interesses nacionais.
A avaliação também considera que os conflitos armados recentes demonstraram a importância crescente de tecnologias avançadas, sistemas autônomos e capacidade de adaptação rápida às novas ameaças.
Nesse contexto, a busca por inovação passa a ser vista como um elemento central para a preservação da soberania nacional e para a manutenção da capacidade de defesa do país.
Desafios para o futuro
As declarações do general Tomás Paiva reforçam a percepção de que as Forças Armadas brasileiras estão voltadas para um processo contínuo de modernização, alinhado às transformações observadas no cenário internacional.
Ao mencionar a existência de uma percepção de ameaça na América do Sul, o comandante sinalizou a necessidade de atenção permanente às mudanças geopolíticas e aos desafios relacionados à segurança das fronteiras nacionais.
Ao mesmo tempo, a crescente incorporação de tecnologias como drones, sistemas autônomos e inteligência artificial demonstra a intenção de preparar o Exército para enfrentar cenários cada vez mais complexos.
O avanço da Política de Transformação do Exército deverá continuar sendo acompanhado de perto nos próximos anos, à medida que novos investimentos e projetos forem implementados para fortalecer as capacidades de defesa do Brasil diante dos desafios do século XXI.

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